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Agricultura natural, orgânica, biodinâmica e agroecologia: o que são?

A agricultura convencional ou moderna é caracterizada pela mecanização, pelo uso de fertilizantes químicos ou pesticidas no controle de pragas e pela manipulação genética de plantas e microrganismos. Tal prática elevou a produtividade de alimentos no mundo todo.

Mas, ao mesmo tempo, cada vez mais impactos ambientais têm sido causados, enquanto a degradação do solo e a poluição de rios e lençóis freáticos só aumentam, trazendo riscos à saúde humana. Nesse cenário, a agroecologia torna-se uma alternativa.

Os problemas provocados principalmente por manejos inadequados do solo demonstram a necessidade de uma saída para reduzir os problemas gerados pelo modelo tradicional que apresente opções sustentáveis para que a terra permaneça sempre produtiva.

As agriculturas de base ecológica priorizam a utilização dos recursos naturais com mais consciência, respeitando e manejando o que a natureza tem a oferecer. Elas constituem diferentes linhas de conhecimento, como a agricultura natural, orgânica, biodinâmica e agroecológica.

As diversas denominações resultam das diferenças entre as características técnicas, econômicas e ambientais, além da forma com que o meio ambiente é pensado pela sociedade e, principalmente, pelos produtores.

Neste post, te ajudaremos a entender esses tipos de agricultura e suas diferenças. Vamos lá? Continue lendo e confira!

Agricultura natural

A agricultura natural considera o solo como a principal fonte de vida e, para a fertilização, procura fortificar sua energia natural utilizando os insumos disponíveis no local de produção. Seu principal objetivo é gerar produtos por meio de sistemas agrícolas que se aproximem das condições originais do ecossistema.

A prática sugere mínima alteração nos ecossistemas, evitando-se modificar o solo e estimulando a reciclagem do material vegetal, por meio da compostagem sem o uso de esterco animal e com a utilização de microrganismos do solo.

Sua expressão foi resultante da preocupação com o uso exagerado de agroquímicos e o emprego indiscriminado de agrotóxicos, que acarretam graves impactos ao meio ambiente. Seus fundamentos se voltam à saúde e à recuperação dos aspectos biológicos, físicos e químicos do solo.

No Brasil, o Centro de Pesquisa Mokiti Okada (CPMO) é responsável pela pesquisa e pelos conhecimentos mais avançados relacionados à agricultura natural e sua filosofia.

Agricultura orgânica

A agricultura orgânica é composta por práticas e processos adaptáveis de produção agrícola. São considerados, assim, topografia, clima, água, radiação solar e realidade local de solo, levando-se sempre em consideração os princípios biológicos e ecologicamente corretos e mantendo a harmonia de todos esses elementos entre si e com os seres humanos.

Parte-se da premissa básica de que a fertilidade do solo é resultante da matéria orgânica contida nele. O suprimento dos elementos minerais e químicos necessários para o crescimento e o desenvolvimento das plantas se dá por meio da ação dos microrganismos presentes ou adicionados ao solo.

Na agricultura orgânica, insumos produzidos com recursos minerais não renováveis ou compostos sintéticos não podem ser utilizados, pois representam grande alteração nas características do solo, na fisiologia de plantas e animais e, consequentemente, no ambiente. No Brasil, a lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, regulamenta a prática.

O aumento da procura por produtos mais saudáveis, com menos agrotóxicos e certificados, faz da agricultura orgânica uma alternativa viável e promissora. O produtor oferece um diferencial ao mercado, com opções orgânicas melhores e mais valorizadas, e o consumidor tem a garantia de um alimento livre de contaminação, cuja produção respeita a natureza e o trabalhador.

O selo de certificação proporciona aos consumidores a garantia de uma mercadoria livre de contaminação química, além de verificar maior transparência quanto às práticas e aos princípios utilizados na produção.

Agricultura biodinâmica

Recebe esse nome a agricultura que tem seus fundamentos básicos lançados no Curso Agrícola, por Rudolf Steiner (1924), que busca o equilíbrio da unidade de produção. O significado da palavra está relacionado às energias que criam e mantêm a vida. Originalmente grego, o termo “bios” significa vida e “dynamis”, força.

As práticas não são fixas ou obrigatórias. Trata-se de uma maneira de abordar a ciência da agricultura que conduzirá a respostas diferenciadas e adequadas quando aplicada às diversas situações locais, nas quais somente devem ser utilizados os elementos orgânicos produzidos na própria propriedade.

São característicos dessa modalidade o uso de preparados biodinâmicos que se baseiam nos princípios da homeopatia e o seguimento do calendário astronômico, as fases da lua e outros astros.

Os produtos biodinâmicos podem ser encontrados em mercados especializados. Sua diferença em relação à mercadoria orgânica é o selo de certificação do Demeter, indicação de qualidade e procedência de acordo com princípios que regem a prática.

As opções biodinâmicas são identificadas mundialmente pela marca Demeter. Tais produtos fazem parte de uma rede ecológica internacional ligada ao Demeter International, sediado na Alemanha.

Agroecologia

A agricultura ecológica (ou agroecologia) se diferencia dos outros tipos por considerar que as plantações são ecossistemas nos quais os processos também ocorrem em suas formas naturais. Dessa forma, respeita-se e mantém-se o que a natureza oferta ao longo de todo o processo de produção.

O objetivo é entender a forma, a dinâmica e a função das relações estabelecidas entre os organismos vivos e não vivos e sua interação. Também é considerada a relação com o homem, sua cultura, seus hábitos e suas tradições.

A intenção é equilibrar o agroecossistema como um todo — e não só maximizar a produção individual. Há, portanto, a necessidade de dar uma maior importância ao conhecimento e as relações existentes entre os elementos do ecossistema.

A essência da agroecologia está ligada à aplicação de conceitos e princípios de diferentes áreas (como ecologia, agronomia, sociologia e antropologia, dentre outras) no manejo de agroecossistemas. São apresentadas opções sustentáveis para que a terra continue sempre produtiva com o passar do tempo.

Com a compreensão dos processos e das relações, os agrossistemas podem produzir melhor com o mínimo de insumos externos e impactos ambientais ou sociais. Portanto, a produção agropecuária, a conservação ambiental e o compromisso social da agricultura quanto aos produtores e consumidores, bem como a sustentabilidade ecológica dos sistemas de produção, são incorporados pela agroecologia.

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