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Conheça as principais correntes do movimento orgânico

Apesar de a sua popularização ser recente, a agricultura orgânica não é uma ideia nova.

Esse pensamento surgiu no fim do século XIX, na Europa Ocidental, com a preocupação em manter uma alimentação saudável e impor limites às técnicas agrárias industriais que usam indiscriminadamente recursos que podem ser danosos para a natureza e para a saúde humana.

Já no início do século XX, nascem as primeiras correntes do movimento orgânico que defendem a não utilização de fertilizantes químicos e o uso mais consciente do meio ambiente.

Entenda, neste post, as principais diferenças entre essas vertentes e quais são as suas principais vantagens:

O movimento orgânico

Diferentemente do que a maioria das pessoas pensa, o movimento orgânico não contempla apenas a agricultura orgânica, mas sim os diferentes tipos de agriculturas alternativas que surgiram no início do século XX.

Esse movimento tem como base a imposição de limites às ações antrópicas danosas ao meio ambiente advindas das revoluções industriais, como o uso intensivo de agrotóxicos e a mecanização excessiva da agricultura.

Com a modernização das técnicas agrárias, diversos produtores do campo começaram a perder espaço no mercado por causa da dificuldade de competir com as máquinas.

Além disso, essa situação gerou diversos problemas ambientais — como a contaminação de solos e de águas e a destruição do ecossistema local — e sociais — como o crescente desemprego no campo, o êxodo rural e a deterioração da saúde de produtores e de consumidores.

É nesse cenário problemático de desordem que surgem as principais correntes do movimento orgânico, que tem ganhado cada dia mais destaque na sociedade atual.

Essa crescente popularidade pode ser atrelada à não utilização de produtos químicos, pois eles podem causar diversas enfermidades à saúde humana, como quadros de intoxicação extrema e maior propensão ao desenvolvimento de câncer e de outras doenças degenerativas.

Conheça as principais correntes do movimento orgânico e como elas têm ajudado a tornar a agricultura mais sustentável:

A agricultura orgânica

A agricultura orgânica é, atualmente, a principal e mais popularizada corrente dentro das agriculturas alternativas. A sua força se intensificou com a crescente conscientização da população acerca dos malefícios do uso indiscriminado de agrotóxicos e de fertilizantes à base de minerais químicos.

Esse movimento surgiu na Inglaterra, graças ao pesquisador Sir Albert Howard, que desenvolveu um trabalho na Índia por cerca de 40 anos. As suas contribuições acadêmicas relataram que o uso orgânico do solo estava diretamente associado à melhor resistência a doenças e à melhoria do nível de saúde humana.

Outro ponto importante a ser ressaltado é que essa agricultura também procura a comercialização direta do fazendeiro com o mercado e evita a produção de monoculturas que podem empobrecer o solo e causar danos irreparáveis à fauna e à flora locais.

Vale lembrar que existe a agricultura biológica, que possui os mesmos princípios da orgânica, sendo que se diferenciam apenas quanto à sua origem. Enquanto a agricultura orgânica propriamente dita teve as suas bases lançadas na Inglaterra, ocorria simultaneamente na França o movimento biológico que defendia os mesmos ideais.

A agricultura biodinâmica

Antes mesmo da corrente orgânica e biológica serem desenvolvidas, surgia, em 1924, na Alemanha, o movimento biodinâmico a partir das ideias do filósofo austríaco Rudolf Steiner, que defendia a retomada do uso ancestral da terra.

Assim como ocorre na agricultura orgânica, a biodinâmica também defende a não utilização de produtos químicos. Em vez disso, ela adota os preparados biodinâmicos para melhorar a fertilidade do solo e estimular o crescimento e a vitalidade dos cultivares.

Nela o sitio ou fazenda é tida como um organismo vivo e deve sofrer o mínimo de intervenção exterior possível. 

Esse tipo de cultivo também utiliza outra ferramenta  para o manejo da terra, o calendário astrológico, que leva em conta as fases da lua com relação ao zodiaco para determinar os melhores dias de plantio e colheita.

Os alimentos biodinâmicos oferecem benefícios tanto à saúde quanto ao meio ambiente, trazendo muito mais vitalidade á terra e consequentemente ao alimento. Podem ser encontrados em mercados especializados e recebem o selo Demeter de certificação, dado pela empresa de mesmo nome e com sede na Alemanha.

A agricultura natural

Outra corrente do movimento orgânico é a agricultura natural, que teve a sua origem no Japão com a fundação da Igreja Messiânica pelo filósofo Mokiti Okada.

Um dos alicerces dessa religião é que a purificação do espírito deve vir acompanhada com a purificação do corpo. Dessa forma, o consumo de alimentos que utilizam produtos tóxicos na sua cadeia produtiva deve ser evitado.

Os seus princípios foram difundidos pelo mundo com a ajuda do pesquisador Masanobu Fukuoka, que defendia que os alimentos devem ser o mais naturais possíveis, como os encontrados na natureza.

Essas ideias ao chegaram à Austrália sofreram algumas modificações que deram origem ao movimento da permacultura, uma outra forma de agricultura alternativa que defende a utilização de um sistema integrado de vegetais perenes para que possam estar sempre disponíveis para a sociedade.

Existem, ainda, outras particularidades que diferem esse tipo de cultivo dos demais. Uma delas é a utilização de microrganismos eficientes, que são responsáveis por reciclar a matéria orgânica do solo com o intuito de deixá-lo o mais próximo possível de uma terra não tocada pelo homem, além da não utilização de dejetos animais — como o estrume, muito comum na agricultura orgânica e biodinâmica.

Uma agricultura mais sustentável

Como você pode ver, essas diferentes vertentes possuem muitos pontos em comum, como a não utilização de produtos químicos e a imposição de limites quanto às práticas predatórias do atual modelo rural.

Dessa forma, todas as agriculturas citadas anteriormente podem ser tidas como modelos sustentáveis a serem seguidos e que podem coexistir para ajudar a tornar o mundo melhor.

Os principais obstáculos enfrentados para a difusão desses princípios é a difícil competição com os produtos convencionais, pois, apesar de possuírem qualidade inferior, eles têm um preço menor e mais acessível, tendo em vista que os alimentos de agriculturas alternativas são mais caros por precisarem de mais cuidados durante a sua produção.

A crescente conscientização da população abre caminho para a dispersão de diferentes correntes de pensamento sustentável que podem ser muito positivas para a nossa sociedade.

Entre elas, encontra-se também o veganismo, uma corrente que defende a não utilização de nenhum produto que tenha origem animal. Confira este post sobre o assunto e fique por dentro dessa ideologia!

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